História da Volkswagen

Conheça um pouco da história da Volkswagen, marca alemã que produziu o veículo mais icônico em todo o mundo, o Fusca.
Traremos uma linha do tempo contando toda a trajetória da VW, mostrando seus principais veículos, no Brasil.

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Comece a entender a Volkswagen (traduzido ao português significa “carro do povo”.) como a marca que produziu o carro mais icônico e que cativou a população no Brasil e no mundo em toda a história: o Fusca, também conhecido como “Beetle” nos Estados Unidos e Reino Unido, “Käfer” na Alemanha, “Vocho” no México, “Carocha” em Portugal e muitos outros nomes ao redor do globo

História Volkswagen e Fusca se confundem

Para contar a história da marca, temos que contar simultaneamente a do Fusca, pois ambos foram criados na mesma época, ou até, um por consequência do outro. Por isso a história acaba sendo por muitas vezes confundida. Mas aqui, nesta matéria, focarei na criação da Volkswagen, posteriormente postarei uma matéria completa sobre a polêmica sobre quem inventou o Fusca.

Tudo teve início na década de 1920 quando Josef Ganz projetou o primeiro esboço de um veículo compacto com motor traseiro, carroceria arredondada e suspensão independente, o Ganz-Klein-Wagen. Ao longo dos anos, Ganz foi aprimorando seus projetos, sempre defendendo a ideia de se criar um veículo compacto, com motor traseiro e barato, para que todos pudessem comprar, um “Volkswagen”. Anos mais tarde, em 1933, com novos protótipos prontos, Hitler, no Salão Internacional do Automóvel de Berlim se impressionou com o veículo projetado por Ganz, o Standard Superior, uma atualização do Mäikafer que havia sido apresentado 2 anos antes (carro que serviu de inspiração para Porsche ao ser contatado na Zundapp).

No mesmo dia, Hitler fez um discurso apoiando a inovação e a produção de um carro popular que fosse acessível a toda a população alemã. Seu objetivo era produzir um automóvel barato que custasse menos de mil Marcos Imperiais, econômico, transportar dois adultos e três crianças, e que qualquer pessoa pudesse comprá-lo através de um sistema de poupança voltado para sua aquisição

A partir de então, o futuro Füher alemão decide colocar o projeto em prática, e à sua escolha para realizá-lo, tinha Porsche e Ganz disponíveis. Claro que, Ferdinand Porsche foi o escolhido, Ganz, judeu, que já havia sido preso e perseguido, foi mais uma vez perseguido tendo que ir morar em outros países.

História da Volkswagen

Em uma reunião, Hitler passou suas ideias e seu esboço para Ferdinand. Em 1935, em seu discurso no Salão Internacional do Automóvel de Berlim, Adolf Hitler citara pela primeira vez o nome de Porsche como o responsável pelo Volkswagen alemão. Os primeiros protótipos, o V1 e V2 ficaram prontos no início do ano seguinte.

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Apresentação ao público

Em maio de 1938, numa grande cerimônia na cidade de Fallersleben, norte da Alemanha (que viria a se chamar Wolfsburg), Hitler lançou o Volkswagen alemão, e deu como inaugurada a maior fábrica de carros da Europa, que viria a produzir o “carro do povo”, também conhecido como KDF-Wagen, pois o projeto tinha apoio da Organização nazista Kraft durch Freude, parte da frente trabalhista alemã.

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A empresa foi então oficialmente criada em maio de 1938 com o nome de Gesellschaft zur Vorbereitung des Deutschen Volkswagens GmbH (Companhia para a Preparação dos Carros do Povo Alemão). Renomeada naquele mesmo ano apenas de Volkswagenwerk, ou “Companhia do Carro do Povo”.

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A fábrica é inaugurada

Inaugurada a fábrica responsável pela produção do KDF Wagen, inicialmente com uma linha de produção para 20mil veículos, que custaria 990 marcos em 1939, aproximadamente 336 mil pessoas pagaram pelo modelo, mas nenhuma dessas pessoas recebeu seu carro.

Bodo Lafferentz, responsável por administrar a nova empresa foi quem criou uma estratégia para comercializar o Volkswagen de forma a eliminar os intermediários, ou seja, vender diretamente ao consumidor, e para que o povo pudesse pagar pelo modelo. Funcionando parecido com um consórcio, os interessados a comprar o carro, deveriam comprar selos nas agências do correio, semanalmente por apenas 5 marcos, completando então sua cartela, para enfim receber seu carro. Dessa forma, a produção do carro do povo alemão foi financiada pelo próprio povo.

História da Volkswagen
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Inicialmente pouco mais de 150 mil pessoas aderiram ao financiamento pela cartela. Muitos desistiram pois teriam que esperar mais de 4 anos para receber seu carro. Inteligentemente contornado, a empresa deu a possibilidade do povo fazer pagamentos adicionais, possibilitando a retirada em no máximo 2 anos e arrecadando ainda recursos para a construção da fábrica.

A promessa do carro do povo foi adiada

Em maio de 1939, Porsche e sua equipe foram deslocados para a fábrica, afim de iniciar os preparativos para a produção, programa para outubro. Mas, no dia primeiro e setembro, Hitler ordenou a invasão da Polônia, dando início a segunda guerra mundial. Assim, o sonho do carro próprio seria adiado em mais uma década.

A fábrica que estava sendo finalizado foi imediatamente requisitada, inicialmente responsável pela produção de algumas unidades do Fusca, que seriam de uso oficial das autoridades nazistas (Kommandeurwagen, 670 unidades produzidas), e posteriormente para a montagem dos veículos de de guerra: Kübelwagen (55 mil unidades produzidas) e o Schwinwagen, o carro anfíbio.

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Esses veículos militares foram desenvolvidos e montados na plataforma do fusca ainda no início de 1937. Diversas versões e protótipos foram criados e testados, com alterações para melhor desempenho, acesso dos militares e força para encarar diversos terrenos, os veículos fizerem grande sucesso e eram por muitas vezes utilizado pelos inimigos da Alemanha, quando eram “roubados”.

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Curiosidade:

Com a escassez de petróleo na Alemanha durante a guerra, foi desenvolvido motores para os veículos de guerra que utilizava combustíveis sólidos e inflamáveis, o gasogênio. O carro incorporava uma fornalha na parte frontal, geradora de gás que podia usar praticamente qualquer combustível disponível, desde lascas de madeira, até carvão e pedaços de turfa. Depois de aceso, o carro estava pronto para rodar.

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A Volkswagen sob novo comando

A História da Volkswagen em 1945, logo após a guerra, toma rumos diferentes.

Hitler estava morto, os nazistas aniquilados, a guerra terminada e a Alemanha invadida e dividida pelos vencedores, os aliados. O país destruído e as instalações da Volkswagen que foram usadas durante a guerra para fabricar armas e veículos para o exército, estavam temporariamente abandonadas, após serem quase que completamente destruída por bombardeios.

História da Volkswagen

A Alemanha estava sendo dividida principalmente entre França, Inglaterra, Estados Unidos e Rússia. Cada um com uma ideia diferente sobre o que fazer com o país e com a fábrica da Volkswagen. Na repartição, a Inglaterra é quem ficou responsável pela região de Fallersleben, onde Michael Ecoy era o responsável por comandar a região, e que logo nomeou o Major Ivan Hirst para administrar a fábrica.

Dando continuidade à produção

A demanda por veículos era enorme, principalmente por conta da Cruz vermelha, que precisava deles para resgate e transporte de feridos. Sendo assim, Hirst ordenou que a fábrica fosse restaurada, quase que reconstruída do zero, e que tudo o que remetesse aos nazistas fosse mudado, primeiro passo, a região passou a se chamar Wolfsburg.

História da Volkswagen

A princípio produziu-se apenas o Kübelwagen, foram 522 unidades em 1945 e 1968 unidades de outros veículos de guerra, totalizando naquele ano uma produção de 2.460 carros. Apesar de os ingleses terem praticamente custo zero na produção, algumas dificuldades tiveram que ser enfrentadas. A carroceria do Kübel era produzida pela Ambi-Budd, que, na hora da divisão ficou na parte Russa, além disso muitas máquinas e peças de diferentes modelos foram levadas para outras localidades do país e abandonadas.

Quando a produção do Kübel já não era mais possível, a fábrica estava fadada a chegar ao seu fim. Mas Hirst não aceitou a situação. Pegou um KDF-Wagen de 1942, pintou-o e fez pequenas mudanças para apresentá-lo aos militares. Impressionados com o carro e como ele seria útil no pós guerra, os militares logo encomendaram 10 mil unidades, isso salvou a fábrica de seu fechamento e fez com que o Volkswagen continuasse sendo produzido.

Mil unidades produzidas

Graças as ações inglesas, o projeto do Volkswagen alemão e a história da Volkswagen não acabaram. Chegando em março de 1946 a 1.000 unidades produzidas no pós guerra do Volkswagen inglês.

História da Volkswagen
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As primeiras unidades produzidas pelos ingleses no pós guerras traziam diversos problemas, desde mecânicos, como vazamento de óleo no motor e nos amortecedores, o que causava a perda de potência e até capotamentos, além de um acabamento de baixíssima qualidade, pintura fosca sem detalhe algum na carroceria e interior mal acabado.

Ainda assim, o veículo ganhava cada vez mais popularidade, principalmente entre os militares que estavam governando a Alemanha, pois o Fusca só poderia ser vendido a eles, ainda não era permitido vender para a população. Hisrt consegue vender o Volkswagen inglês para as tropas britânicas, sendo a primeira venda para o exterior do país derrotado.

História da Volkswagen
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Esses primeiros carros produzidos eram bem parecidos com o modelo conhecido como “Split Window”, equipados com motor de 1.131cm³ gerando 25 cavalos de potência. Eles eram pintados por inteiro com tinta fosca, inclusive rodas e para-choques, o que era motivo de reclamação de muitos proprietários. As lanternas minúsculas só tinham função durante a noite, pois a luz de freio era no mesmo local da luz que iluminava a placa, além de um simples painel apenas com velocímetro e volante de três raios.

Reapresentação ao público

Em 1947 o Fusca foi oficialmente apresentado ao público que agora teria a chance de comprá-lo. A Alemanha estava restabelecendo economicamente assim como sua população, que mesmo com poder aquisitivo um pouco melhor, ainda sofria pela carência de um veículo popular. Dessa forma, os responsáveis decidiram que o melhor a ser feito era exportá-lo e vendê-lo em outros países.

A história da Volkswagen na Europa

Inicialmente, um comerciante inglês comprou algumas unidades do Volkswagen e os levou para seu país. Na Inglaterra o carro sofreu algumas alterações e melhorias em suas mãos, como a adaptação do volante para o lado direito, uma nova pintura, calotas e para-choques cromados. John Bolborne-Baber foi o responsável pela primeira grande exportação do fusca, em quase 5 anos de trabalho, foram 100 unidades customizadas.

O primeiro exportador oficial do Fusca foi o holandês Bem Pon, que conseguiu o direito de importar para seu país algumas unidades, o que já havia tentado antes mesmo da II Guerra começar. Sua encomenda chegou com um pouco de atraso, pois Hirst ordenou que junto com os carros fossem enviadas peças de reposição, caso houvesse a necessidade de reparos, estéticos ou mecânicos. Essa foi uma das grandes e sábias decisões de Hisrt, fazendo com que o Fusca pudesse ter uma longa vida fora da Alemanha e fosse ainda mais conhecido.

Além disso, Ivan Hirst, o então responsável pela fábrica tomou outra sábia decisão, que mudou o rumo da empresa. Com grande crescimento à frente, Hirst percebeu que a Volswagen precisava de alguém no comando que realmente entendesse do ramo automobilístico. Assim, em janeiro de 1948 Heinrich Nordhoff assume o controle da empresa, personagem importantíssimo no crescimento da Volks nos próximos 20 anos.

Logo em seu primeiro ano, elevou a produção para mais de 19 mil unidades, subindo ainda mais em 1949 para incríveis 46 mil unidades, algo impressionante para uma fábrica que ainda estava se reestruturando no pós guerra.

O modelo de exportação

O Fusca ainda era um carro muito simples, sem grande qualidade e charme adequado para impressionar o mercado mundial. Para mudar isso, Nordhoff decide elevar o padrão e criar o modelo Export, ou “deluche” como é chamado na Alemanha, em julho de 1949. O novo modelo trazia pintura brilhante, frisos, calotas, maçanetas e para-choques cromados, sua tapeçaria era feita em casimira. O Export também contava com um novo volante, conhecido no Brasil como “asa de morcego” e um painel mais sofisticado.

O modelo simples, continuou a ser produzido e foi batizado como Standard.

No início das exportações o Fusca, ainda possuía muitos problemas que eram maquiados com um polimento e alguns enfeites,  ainda assim fez sucesso, ou foi bem sucedido na Europa, pois o continente ainda estava sedenta de transporte e se reequilibrando após muitas batalhas. Com o modelo Deluxe, criado por Nordhoff, o Fusca ganhou apaixonados por todo o mundo e faz sucesso até os dias de hoje.

A genialidade de Nordhoff

A genialidade de Nordhoff ia além de conseguir continuar e aumentar a fabricação do Fusca, e de criar o modelo DeLuxe para exportação, sua principal e mais inteligente decisão foi de apenas aprimorar o modelo, atualizá-lo com pequenas mudanças sem que precisasse mudar ou substituí-lo por outro modelo de tempos em tempos.

Assim, o Fusca o foi o carro de modelo único mais produzido no mundo. Além de eternizar sua característica única, a estratégia também trazia enormes retornos financeiros, pois era preciso apenas pequenas melhorias na linha de produção, para produzir os novos modelos, sem precisar de grandes investimentos ou mudanças em maquinários e mão de obra.

Atingindo incríveis números

Com o aumento da produção, e uma linha de montagem mais eficiente e rápida, no dia 4 de março de 1950 o Fusca de número 100 mil saiu da linha de produção em Wolfsburg. Na festa de celebração, Nordhoff não apareceu ao lado do veículo, mas sua estratégia de exportação continuou crescendo e a Volkswagen estava presente nas principais feiras de automóvel do mundo, expondo seu veículo pequeno e todas suas virtudes.

Fusca exposto nas feiras de automóveis ao redor no mundo.

O carro recebeu muitas críticas quando ainda possuía muitos defeitos, logo quando os ingleses assumiram a empresa, além de muitos taxarem como uma herança nazista. Realidade que foi mudando ao longo dos anos, devido as melhorias feitas no Fusca, principalmente em sua mecânica e segurança. Com o modelo DeLuxe, as críticas começaram a se tornar elogios no meio automobilístico, tendo destaque nas principais revistas da época. E assim, o Volkswagen foi ganhando cada vez mais admiradores ao redor do mundo.

Sua popularidade foi crescendo, consequentemente sua demanda também cresceu, a tal ponto que era preciso esperar para se ter um Volkswagen. A fábrica tinha então um grande problema, pois era preciso mais de 2 mil horas para se produzir um único veículo, enquanto os americanos precisavam de pouco mais de 400 horas.

Era preciso otimizar a linha de produção pra que a empresa pudesse atender a demanda existente, sendo aperfeiçoada ao longo dos anos atingindo grandes números futuramente

Em 5 de outubro de 1951 a Volkswagen atingiu a marca de 250 mil Fuscas produzidos, celebrado com Nordhoff ao lado do Fusca, o que trazia ainda mais prestígio ao veículo. E pouco tempo depois, a marca quebrou a barreira de mais de 100 mil unidades produzidas durante 12 meses, o que mostrou a evolução na eficiência da linha de produção da fábrica que diminuiu o número de horas necessárias pra a produção do veículo.

Durante esse período, o Fusca recebeu pequenas atualizações, discretas mas que viriam a se tornar marca registrada do modelo.

A história da Volkswagen se mescla com a do Fusca

Para contar a história da Volkswagen, é preciso também contar a do Fusca. Um surgiu em função do outro.

O projeto do Volkswagen alemão, do carro do povo, idealizado por Hitler, foi o que deu origem a empresa Volkswagen.

Leia também: http://ofuscando.com.br/rolls-royce-phantom-iii-1937/

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